Quem é “VIRMOND, A.” nos livros de Gustavo Biscaia de Lacerda.

 

Quem é “VIRMOND, A.” nos livros de Gustavo Biscaia de Lacerda.

Arthur Virmond de Lacerda Neto.

Acha-se, disponível na rede, desde 2011, uma tese de doutoramento aprovada na Universidade Federal de Santa Catarina, intitulada (com mau gosto) “Momento comtiano”, relativa ao pensamento do Positivismo de Augusto Comte, em que o autor, Gustavo Biscaia de Lacerda,  menciona, no texto e na bibliografia, “VIRMOND, A.”.

A. Virmond sou eu, de nome completo Arthur Virmond de Lacerda Neto, que deveria haver sido mencionado da forma academicamente correta, ou seja, “LACERDA NETO, A. V. de”.

O já agora professor pós-doutor Gustavo é meu irmão germano (somos filhos dos mesmos pai e mãe) e, obviamente, conhece-me o nome completo e as regras acadêmicas de citação de autores, que seguiu corretamente em relação a todos os que cita, exceto no que me concerne. Sou o único autor cujo nome ele elidiu, parcialmente, para ocultar o meu segundo sobrenome, Lacerda, e evitar, com isto, que o leitor perceba o parentesco existente entre nós.

Escrevi dois livros que tratam especificamente do Positivismo e outro em que há capítulos sobre ele, a saber: “A república positivista. Teoria e ação no pensamento político de Augusto Comte”, que o autor menciona na sua tese e no seu livro “Laicidade”; “A desinformação anti-Positivista no Brasil”, que Gustavo menciona no seu livro “Laicidade”; “Provocações”, com capítulos acerca do Positivismo, que Gustavo não menciona na sua tese nem em “Laicidade”.

A bibliografia da sua tese omite “A desinformação anti-Positivista no Brasil” e “Provocações”, que ele deveria haver, no mínimo, consultado; se não o fez, deixou de recorrer a livros de que dispunha, quanto mais não fosse porque lhe dei, pessoalmente, um exemplar de “A desinformação anti-positivista no Brasil” que publiquei no mesmo volume em que publiquei a “Pequena história da desinformação”, de Vladimir Volkoff: trata-se de dois livros em um só tomo, de que ele menciona o segundo, na bibliografia.  A quem consultou o de Volkoff é materialmente impossível ignorar a existência de “A desinformação anti-positivista no Brasil”. Na sua tese, ele o ignorou adrede: fingiu desconhecê-lo.

A menção errada do meu nome e a omissão de dois dos meus livros constituem falhas imperdoáveis. Não foram casuais; ao contrário, foram intencionais, no intuito de ocultar o meu nome e parte da minha obra. A atitude do autor da tese constitui falha acadêmica, pelo que ela não poderia, jamais, haver sido aprovada com louvor, como o foi: ao contrário, sem louvor, e com censura pela atitude mesquinha de que ela serviu de instrumento, como veículo de ódio de família que, no seu autor, sobrepujou e ainda sobrepuja a correção acadêmica.

Após a disposição da tese, na rede de computadores, dirigi-me, privadamente e por escrito, a Gustavo. Protestei contra a mutilação do meu nome; em resposta, recebi subterfúgios cínicos. Quando lhe esfreguei na cara a regra da Abnt, concernente à citação dos nomes dos autores, ele calou-se.

Em 2016, Gustavo publicou  “Laicidade na I República Brasileira” (Curitiba, Appris Editora), em cuja página 162 insiste na aleivosia de identificar-me com o meu nome mutilado, a saber, “VIRMOND, A.”.

O professor pós-doutor Gustavo Biscaia de Lacerda odeia-me ferozmente há, pelo menos, dez anos; recusava-me, com ódio velado, há cerca de vinte, suspeito de que por homofobia internada (“internalizada”).

Em 2016, ele persiste, se não no seu ódio, certamente sim no procedimento soez de ocultar-me a identificação por nome completo e o nosso parentesco, com evidente infração da correção acadêmica (porquanto “Laicidade” foi-lhe texto de pós-doutorado) e da probidade com que menciona as suas fontes, ao menos em relação ao que me toca.

No seu blogue “Filosofia social e Positivismo”, o pós-doutor Gustavo mantém as ligações de vários sítios eletrônicos de interesse positivista, porém não o do meu “Positivismo de Augusto Comte” (https://positivismodeacomte.wordpress.com/).

Cada um julgue do valor moral e da lisura acadêmica com que o professor pós-doutor Gustavo Biscaia de Lacerda me vota ódio e com que elide ao público, nas suas obras, a minha identificação. Ele sonega aos seus leitores informação que lhe era acadêmica e intelectualmente obrigatório propiciar-lhes; ele desinforma-os.

Cada um julgue se ele procedeu com probidade acadêmica e lisura intelectual ou se atuou com inegável desonestidade acadêmica e intelectual.

Pergunto: há probidade ou improbidade em sonegar, deliberadamente, em parte, o nome de autor que cita em nota de rodapé e na bibliografia, em tese de doutorado e em texto de pós-doutorado, acessíveis ao público, nome que ele obviamente conhece, por inteiro? ? Representa reincidência de improbidade persistir na mutilação do meu nome (em livro de 2016), a despeito do meu protesto, em 2011, e ainda que eu não houvesse protestado ? ? Ou ele foi probo, honesto, correto, moral acadêmica e intelectualmente, ao mutilar o meu nome, cujo enunciado obviamente conhece e cuja enunciação como “LACERDA NETO. A. V. de” era-lhe imperiosa, academicamente  e por lisura intelectual ? ?

Não se trata, da minha parte, de mera vaidade ferida por descuido do pós-doutor. Academicamente, a menção correta dos autores é forçosa: o pós-doutor jamais incorreria em tal desatenção de boa-fé.

Não se trata de questão de somenos, de meros sobrenomes, de picuinha de autor enfatuado: trata-se do intencional, deliberado, consciente obscurecimento da minha pessoa, da vinculação dela aos meus livros e do parentesco existente entre mim e Gustavo. Como “VIRMOND, A.”, não sou eu; não sou o autor dos meus livros e não sou irmão de Gustavo. Eu sou eu, bibliograficamente, como “LACERDA NETO, A. V. de”: desta forma, academicamente correta, o meu nome corresponde-me à pessoa; somente ela identifica-me, realmente, como autor dos meus livros; por ela, nota-se a coincidência de sobrenomes entre mim e o pós-doutor, o que, por sua vez, suscita, no mínimo, suspeita de parentesco entre ambos.

Identificado pela forma como o pós-doutor o fez, é como se eu não fosse eu: “VIRMOND, A.” não é ninguém.  Para o leitor desavisado,  “LACERDA NETO, A. V.  de” e “VIRMOND, A.” são duas pessoas, de que a segunda nenhum parentesco guarda com ele; no meio acadêmico, é indesculpável tal infração das regras da Abnt.

É evidente que qualquer leitor, ao se lhe deparar o nome Arthur Virmond de Lacerda Neto, percebe a coincidência com o Lacerda de Gustavo Biscaia de Lacerda: é esta percepção que o pós-doutor elide, capciosamente. Ele almeja evitar que os seus leitores percebam haver outro Lacerda, autor de livros sobre o Positivismo, e anteriores aos dele; deseja evitar a pergunta, no espírito do leitor: “Qual é o parentesco entre ambos?” e a resposta: “São irmãos germanos”.

Ele, que pontifica graças ao Positivismo, talvez insuporte, intimamente, dever-me a mim havê-lo conhecido. Talvez também me inveje, do que suspeito há cerca de vinte anos. Creio que me odeia por homofobia internada (“internalizada”).

 

 

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Positivismo e abolicionismo.

 

POSITIVISMO E ABOLICIONISMO. (Nota por incrementar.).

Os positivistas brasileiros eram abolicionistas. Era condição de ingresso na Igreja Positivista do Brasil não se possuir escravos.

Teixeira Mendes, chefe do Positivismo Brasileiro (e autor da bandeira republicana), era favorável à indenização, a ser paga, por ocasião da abolição, não aos ex-senhores, porém aos escravos.

Teixeira Mendes, Aníbal Falcão e Teixeira de Souza formularam, em 1880, projeto de abolição:
1- Abolição imediata.
2- Adscrição ao solo dos (ex) escravos,
3- Supressão da legislação autorizadora de castigos corporais.
4- Casamento dos pares de (ex) escravos.
5- Limitação do número de horas de trabalho, com descanso semanal.
6- Criação de escolas primárias, às custas dos grandes proprietários rurais.
7- Dedução de parte dos lucros dos (ex) senhores para pagamento de salários.

Miguel Lemos, um dos próceres do Positivismo no Brasil, escreveu: O proprietário atual de escravos é simplesmente uma pessoa que continua a gozar das conseqüências de um crime [instituição da escravidão] que os nossos pais cometeram , crime atroz que deve ser expiado” mediante a transformação dos escravos em “cidadãos livres.

O Calendário Histórico ou Calendário Positivista, composto por A. Comte, em que se atribui a cada dia um personagem relevante no progresso humano, consagrou o dia 26 do mês de Frederico (evocador dos estadistas modernos) a Bolívar e a Toussaint-Louverture.

Toussaint-Louverture foi o negro, escravo, que promoveu a independência do Haiti, e a extinção da escravidão naquele país. A escolha de Comte, de tal personagem não é apenas simbólica: ela eleva Toussaint à condição de benfeitor da Humanidade.

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O Positivismo na Argentina.

Artigo de Ramón Carrillo, publicado na Revista Ocidental, em 1901, noticia a presença e a ação de alguns positivistas na Argentina.

Tradução e notas da minha autoria. Leia aqui: O POSITIVISMO NA ARGENTINA

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Que são ordem e progresso.

 

QUE SÃO ORDEM E PROGRESSO.
Ordem e progresso não são o que muitas pessoas pensam; eles não correspondem, em acepção, ao que muitos lhes atribuem. Ordem e progresso equivalem, respectivamente, à estática e à dinâmica, às condições de existência e às de atuação de corpo qualquer ou de algum fenômeno. Há ordem e progresso na matemática e na biologia (nesta, equivalem à anatomia e à fisiologia).

A ordem e o progresso da bandeira não equivalem nem nunca equivaleram, por exemplo, a Estado autoritário, repressor, nem a capitalismo, mais riqueza para poucos e mais pobreza para muitos.

Ordem e progresso não são, no Positivismo, conceitos políticos, porém científicos; eles reconhecem a forma de ser e de desenvolver-se das sociedades, de todas elas.

Assim, não faz sentido politizar-se tal binômio, como se se tratasse de impor ordem para uns e de propiciar progresso para outros. A ordem e o progresso existem para todos os humanos, pois todos os humanos vivem em sociedade e os conceitos de ordem e de progresso caracterizam as sociedades e não a forma política e ou econômica desta ou daquela sociedade.

(Dizer-se que a ordem e o progresso significam impor-se ordem para uns, com autoritarismo [militar ou civil], a fim de se propiciar progresso para outros, com desigualdade econômica, é a frase-feita mais tosca e o lugar-comum mais primário que circulam a propósito do binômio em causa.).

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Recado aos que negam a ciência.

Sérgio Manoel Luzia Caldeira, de Portugal, publicou o texto abaixo, no seu Facebook, em 6 de junho de 2017.

Ele afirma o caráter histórico, social e cumulativo da ciência: ela se constrói pela convergência dos esforços e dos resultados obtidos por gerações, ao longo dos tempos, usáveis em prol do melhoramento da condição humana. É a ciência empregada com destinação humanista, ou seja, moralmente aplicada.

São palavras de enaltecimento do método científico (tentativa e erro, experimentação); do desprendimento de muitos cientistas, que laboraram em prol da Humanidade, porventura com sacrifício pessoal; dos benefícios que as aplicações da ciência são suscetíveis de propiciar às pessoas.

Sérgio Caldeira exprimiu conceitos elevados, com arte e felicidade. Subscrevo-lhe as palavras e o saúdo, por elas.

Arthur Virmond de Lacerda Neto, em 10.VI.2017.

Recado aos que negam a ciência

SÉRGIO CALDEIRA·TERÇA, 6 DE JUNHO DE 2017

Em memória de Marília Caldeira, de quem não voltarei a escutar a frase reconfortante: “mano, eu entendo tudo o que escreves”.

“Sabem do que é feita a ciência, meus amigos?”

Sentem o quanto dói construir o saber?

A ciência é feita de tentativa, erro, busca de conexões lógicas, teoria, hipótese, método, factos, medidas, aferições e inferições, validação por pares, ensaios, observações, angústia, desalento, negação das paixões, negação do Ego, abnegação, sacrifício, e sobretudo muita solidão.

Quando abrem um livro de Física, de Biologia ou de Astronomia, além da glória dos nomes que triunfaram num teorema, numa fórmula matemática, num modelo cosmológico, descritos numa linguagem simples e elegante, sentem a angústia e a solidão de quem sacrificou a vida para nos deixar essa dádiva?

Na construção da ciência vejo Marie Curie a morrer de cancro, por conta do material radioactivo que estudou durante anos. Vejo Newton dentro de um quarto escuro a tentar recuperar a visão, depois de se ter exposto ao exercício perigoso de observar o Sol directamente. Vejo Darwin angustiado pelo medo de expor à sua esposa, tão religiosa, a sua teoria da Evolução das Espécies. Vejo a sociedade londrina a escarnecer, do alto da sua ignorância atrevida, a imagem do “Homem descender de um macaco” Amesquinhavam a grandeza de Darwin por conta da mesquinhez do seu próprio Ego. Vejo Hipática a chorar a bela biblioteca de Alexandria, destruída numa pira infame, ateada por quem não queria outra verdade que não a “verdade” do seu delírio. Sinto o crepitar da madeira e dos papiros queimados, levando consigo a vida de Hipática e o saber do mundo antigo! Sinto os passos cansados de Erastótenes, que mediu sombras e distâncias e com isso determinou o tamanho da Terra. Vejo Kepler angustiado, a mendigar as observações do mestre Tycho Brae, triste por ter que deixar de lado o seu sonho de esferas perfeitas, rendendo-se à evidência das observações e dos seus cálculos que demonstravam que os movimentos dos corpos celestes são elipses e não esferas. Empolgo-me com a coragem quase insana de Edward Jenner, que arriscou a vida do seu próprio filho inoculando nele a varíola bovina. Com isso descobriu a primeira vacina que erradicou a temível varíola humana, doença que matava milhões de pessoas. Hoje é um dos triunfos da medicina, a erradicação de uma doença infecto-contagiosa devastadora.

Vejo Albet Einstein no final da vida, pacifista, contrário à bomba atómica que ajudou a criar. Sinto o desalento de Clair Patterson, que lutou uma vida inteira para demonstrar que o chumbo é venenoso, tendo por colossal inimigo a indústria petrolífera. David contra Golias.

A ciência é feita de tentativa e erro, de solidão e angústia. Ela assume os seus erros, a sua dificuldade em arredar o Ego do seu trabalho. Ela aceita que um determinado modelo possa um dia ser melhorado por outro mais elaborado ou mais abrangente. Einstein não negou Newton, acrescentou-lhe algo. No século XIX deitaram-se colecções inteiras de meteoritos para o lixo, porque a incipiente ciência da altura negava a possibilidade de haver queda de pedras vindas do céu. Sim, a ciência e os cientistas não são imunes à crença. Ela é feita por homens e por mulheres comuns que fazem coisas incomuns, e que ás vezes podem ceder à tentação: uma medida adulterada de emissões de gases poluentes aqui, uma “medicina alternativa” ali, uma medicina “quântica” acolá, são tentações que o “vil metal” coloca amiúde no caminho de muitos investigadores. A ciência não oferece verdades absolutas, os seus modelos são quase sempre provisórios. A ciência não tem respostas aos porquês da vida, mas é excelente a responder aos “comos”: como funciona a Biologia, a Química, a Astronomia, por exemplo. Claro, ela assume que não pode responder aos “porquês”: porque existimos, porque sofremos, de onde viemos, para onde vamos. Este é um campo que a ciência deixa para filósofos ou clérigos.

Foram necessários milénios para erguer o edifício elegante e sólido da ciência. Milhares de homens e de mulheres sacrificaram as suas fantasias mais doces em prol de uma verdade sólida mas cruel. Se hoje contamos com a medicina ou a tecnologia moderna que nos proporcionam um bem-estar que gerações inteiras apenas puderam sonhar foi porque milhares de pessoas tiveram a coragem de olhar o mundo como ele é, e não como gostariam que ele fosse. A magia da ciência talvez seja essa: foi por ver o mundo dessa forma que o puderam afinal transformar em algo mais próximo daquilo com que sonharam, sem na generalidade das vezes terem beneficiado com isso. Se hoje temos medicina nuclear, também a Marie Curie o devemos. Ela deu a sua vida para que outros hoje vivam mais e melhor.

Se achas que ser cientista é apenas o momento de glória do investigador que vai à televisão descrever a sua descoberta ou o seu triunfo, desengana-te. A ciência, que tu ás vezes renegas por medo da sua complexidade e por desejo de que o mundo seja aquilo que tu queres que ele seja e não aquilo que ele é, é feita de trabalho árduo, solidão, desalento, onde o cientista muitas vezes cai e se reergue!

Quando negas a ciência, desdenhas de milhares de vidas que se sacrificaram por ti e pelo teu bem-estar. Quando recusas uma vacina por medo e ignorância retiras significado à vida e ao trabalho do investigador, e colocas em risco a tua vida e a da comunidade apenas porque o teu medo falou mais alto do que a razão.

Os pseudo-cientistas e charlatães que te vendem ilusões de produtos naturais “bons” contra produtos químicos “maus”, “embrulhadas” em linguagem pseudo-científica, vivem do teu medo e à custa de cada homem e mulher que se sacrificou para determinar como o mundo físico realmente funciona e para te proporcionar as ferramentas que te permitem viver melhor do que a maioria da humanidade alguma vez sonhou viver! “Homeopatia” ou “Medicina quântica” são apenas engodos disfarçados de ciência. E se a mezinha da tua avó funciona – e tantas vezes as mezinhas dos antigos funcionam! – só é necessário passar essa mezinha pelo crivo da ciência. Se se comprova a eficácia, passa de mezinha a medicamento. Foi esse o processo de síntese da aspirina e de milhares de outros compostos com eficácia médica comprovada! Se entenderes o que é a ciência e o seu método, a sua honestidade, validade e força, honras os milhares de homens e de mulheres que trabalharam em prol desse conhecimento por muitos séculos.

Quando entendes e aceitas a validade do seu trabalho dás sentido e eternizas essas pessoas!

Quando compreendemos e aceitamos a verdade dos factos e com eles conseguimos fazer um mundo melhor, damos sentido à vida e à angustia solitária de cada cientista, e com isso damos sentido e dignidade à nossa própria existência!

Porque a ciência é a mais sólida construção do espírito humano, perante ela o delírio e o Ego esperneiam e renegam, mas só o fazem porque sabem que não detêm a razão nem a verdade dos factos. É sobre a verdade que a Humanidade se pode erguer, construir e ganhar significado, longe da lama primordial de um lago primevo de onde os nossos ancestrais saíram a rastejar há milhões de anos. Se tivermos a coragem de sacrificar os nossos sonhos mais doces em prol de uma verdade cruel, no fim temos como prémio as ferramentas para mudar essa realidade angustiante. Esse é porventura o maior triunfo e a maior dádiva da ciência!

 

 

 

 

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Romanistas no Calendário Positivista.

Em 2012, publiquei Estudos de Direito Romano (editora JM Livraria Jurídica, Curitiba), com capítulo intitulado como este blogue. Aqui, reproduzo-o na forma de separata, em PDF: Romanistas no Calendário Positivista. Separata.

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O Direito Romano na obra de Augusto Comte.

Em 2012 publiquei Novos Estudos de Direito Romano (editora JM Livraria Jurídica, Curitiba), com extenso capítulo dedicado à elucidação das referências de Augusto Comte ao Direito Romano.

Em jeito de separata reproduzo-o aqui:  O Direito Romano na obra de Augusto Comte

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Anedotário positivista.

 

Anedotário positivista

Arthur Virmond de Lacerda Neto.

Chama-se de anedota  a narrativa breve, relativa a uma personagem, a um fato ou a algo, possível, porém não necessariamente cômica. Caso o seja, chama-se comumente de piada. Reuno aqui os episódios curiosos, divertidos e pitorescos que envolveram  positivistas nas mais variadas situações, sem critério de preferência de personagem nem ordem de assunto. Entre parênteses indico a fonte correspondente.

 

  1. Tencionando mandar pintar a fachada do prédio em que habitava,  Augusto Comte indagou ao vizinho da frente que cor ele preferia. O interrogado estranhou a pergunta e ponderou-lhe que quem deveria escolher a cor era o próprio Comte, ao que ele explicou-se: “Pergunto ao senhor porque é o senhor que, morando em frente, vê o prédio todos os dias, e não eu, que moro dentro dele”! (Esta anedota acha-se atribuída a Léo Cobbe, em 300 e tantas histórias de Curitiba, pelo que haverá engano na sua atribuição a um dos protagonistas).
  2. No teatro, certa feita, Comte palestrou com uma senhora, sobre um  tema ao qual se referiam ambos por dado vocábulo. Horas depois, Comte apercebeu-se de que, embora empregassem o mesmo termo, referia-se cada qual a assuntos totalmente distintos (O ano sem par, de Teixeira Mendes).
  3. Acompanhava Comte uma pessoa pelas ruas de Paris, parolando com ela, quando, de súbito, ele desapareceu (Místicos franceses, Erdan). Quiçá fosse um interlocutor de cerimônia, que tivesse a palavra no momento em que passaram por um café ou um restaurante e, apurado,  terá Comte aproveitado para dirigir-se ao banheiro… Ou, talvez, se tratasse de um jesuíta que tentava convertê-lo…
  4. Certa feita, Comte abrigou-se da chuva, sob uma árvore. De súbito, viu, ao pé de si, um lobo, que não o molestou (Correspondência geral de A. Comte).
  5. Em visita ao túmulo de Clotilde de Vaux, a mulher de Comte, Carolina Massin, a quem ele pensionava, ocultou-se por detrás de uma tumba e, imitando a voz da morta, exortou-o à pontualidade nos seus pagamentos. Ele atemorizou-se e nunca mais lá regressou  (Journal des Goncourt, vol. VI) . Esta anedota é evidentemente falsa.
  6. Em uma sessão da Sociedade Positivista de Paris, achava-se em questão se Jesus Cristo deveria ou não figurar no Calendário Histórico. Alguns afirmavam que sim, dada a sua influência histórica mercê do catolicismo; outros opunham-se a tal, face à sua alegada condição divina. Comte exclamou: “Já que ele se fez deus, que se conserve como tal”, e excluiu-o (Revista Ocidental).
  7. O então tenente (depois general) Vicente da Fonseca Vasconcelos participava, em 1914, da comissão comandada por Rondon, de estabelecimento das linhas telegráficas nas cabeceiras do rio Gi-Paraná. Em meio a silvícolas, um deles, vislumbrando em uma árvore duas araras, disse ao oficial positivista, que se achava armado de uma espingarda: “Tenenti, pum!” O tenente desferiu um tiro e ambas aves caíram ao solo…indenes, livres de qualquer ferimento, desmaiadas pelo deslocamento de ar provocado pela bala, que passou por entre as suas cabeças, sem as tocar! (Alberto Pizarro Jacobina, Traços biográficos do Gen. Vicente Vasconcelos, p. 32-33).
  8. O Positivismo considera falsa, inútil e obsoleta a idéia de deus, que substitui pela de Humanidade. Nas suas cartas, Rondon empregava o fecho de despedida em função da palavra Humanidade, e ao invés de escrever “adeus”, usava “adeusa”… (Alberto Pizarro Jacobina, Traços biográficos do Gen. Vicente Vasconcelos, p. 26-27).
  9. Era critério supremo da expedições ao sertão brasileiro, sob o comando de Rondon, jamais  se agredir os silvícolas e sempre amistar-se com eles, pelas formas possíveis, das quais uma era a de que, como eles  imitavam os gritos e dizeres dos expedicionários, estes faziam o mesmo, o que divertia os índios, provocando risadas de parte a parte. Certa feita, o primeiro contacto com uma tribo verificou-se mediante essa mútua imitação: “Em pouco tempo estavam os exploradores e os explorados em franca palestra, em que uns repetiam o que os outros diziam e ninguém se entendia” (Alberto Pizarro Jacobina, Traços biográficos do Gen. Vicente Vasconcelos, p. 39).
  10. Fiel ao seu princípio de “morrer se preciso, matar, nunca”, tendo sido atingido por uma flecha, que não o feriu porque uma peça de couro da sua indumentária impediu-lhe o avanço, Rondon devolveu-a ao índio (Hernâni Gomes da Costa).
  11. O ao tempo capitão Vicente Vasconcelos foi comissionado pelo Serviço de Proteção dos Índios para demarcar terras na Bahia, ocupadas por algumas tribos, terras  cobiçadas por brancos, que intimaram o capitão a cessar as suas atividades. Como ele não cedesse, contrataram um sicário para matá-lo, o preto Narciso. O homicídio não se consumou. Tempos após, o dr. Rulfo Galvão inquiriu Narciso: “Então, você foi contratado para matar o capitão Vasconcelos?” “Sim, fui, mas, Doutor, aquele capitão não é homem que se mate” (Alberto Pizarro Jacobina, Traços biográficos do Gen. Vicente Vasconcelos, p. 55).
  12. Em 1934, nomeou-se Rondon como presidente da Comissão Mista Brasil-Peru e Colômbia, para regular o tratado de Letícia. Durante quatro anos ele ocupou-se deste mister e dos proventos que então recebeu, separou boa parte para fundar uma escola em Mimoso, sua cidade natal, no Mato Grosso, a que atribuiu o nome da sua genitora.
  13. O presidente T. Roosevelt veio ao Brasil, onde conheceu os trabalhos da Comissão Rondon, a cujo respeito disse: “Nunca vi, nem conheço obra igual. Os homens que a estão realizando são, pela sua abnegação e patriotismo, os maiores que conheço! O trabalho que está sendo realizado pelo 5º Batalhão de Engenharia só pode ser comparado, no esforço e heroísmo que representa, à abertura do Canal do Panamá” (Marechal Cândido Rondon, separata da Câmara dos Deputados, RJ, p. 19).
  14. Em 1862, Benjamin Constant Botelho de Magalhães prestou concurso para professor de matemática da Escola Normal, com banca presidida pelo dr. Augusto Dias Carneiro, que propôs, ao cabo dos exames, esta classificação: “Em 1º lugar, com distinção, o Dr. Benjamin Constant Botelho de Magalhães; em 2º lugar, ninguém; em 3º lugar, ninguém”; em 4º lugar  figurava o nome do outro candidato, que o imperador nomeou…  (Alberto Pizarro Jacobina, Dias Carneiro, p. 36).
  15. Sempre que me deparo com um macróbio, pergunto-lhe “O que o senhor (ou senhora) fez ou faz para ter chegado a esta idade com esta saúde?” Mormente respondem-me “Nada”. Somente duas pessoas prestaram-me respostas significativas. Uma foi o meu tio-avô Narciso Chalbaud Biscaia que, já nonagenário ou quase, disse-me por este teor (não é literal) : “Levo uma vida calma, não tenho fortes emoções, sou resignado, não ambiciono o que não posso ter”. A segunda resposta foi a do almirante Alfredo de Moraes Filho: “Sou apaixonado pelo que faço, sou apaixonado pelo mar, sou apaixonado pelo Positivismo. Em segundo lugar, como pouco”. Ambos viveram 91 anos, com grande vigor até o fim.
  16. Teixeira Mendes era um homem justo: criticava quando era o caso e defendia de críticas injustas, quando as havia, aquele a quem atacara antes. Assim foi com Pedro II, cuja “nulidade afetiva, intelectual e prática” verberou a propósito da proclamação da república. Em 1917 circulou na Inglaterra uma mensagem que, alegadamente,  o imperador teria dirigido ao presidente Abraão Lincoln, de apoio à escravidão nos EUA. Convencido de tratar-se de uma fraude e de que jamais Pedro II seria capaz de tal atitude, Teixeira Mendes passou a contactar as gazetas daquele país e da Europa, até desvendar a fraude, cuja descoberta divulgou na imprensa brasileira e por meio de um opúsculo que publicou (Três abolicionistas esquecidos, Ivan Lins).
  17. Não basta a ciência desprendida da moral, o conhecimento científico sem uma orientação de valores que lhe regre a aplicação. Augusto Severo procurou Teixeira Mendes para que este se externasse acerca do balão que aquele criara: Teixeira Mendes exprimiu-lhe que se tivesse a solução do problema da dirigibilidade, destruí-la-ia, por julgar os seus contemporâneos destituídos de elevação moral equivalente ao poderio militar que disto resultaria. Com T. Mendes concordou 24 anos mais tarde, Santos Dumont, ao desejar que se proibisse o uso militar do avião (A cultura e o momento internacional, Ivan Lins).
  18. Certo positivista polemizava com Teixeira Mendes, havendo encerrado a disputa com esta declaração: “O senhor conhece o Positivismo, eu conheço os positivistas”. Teixeira Mendes admitiu-lha… (Hernâni Gomes da Costa).
  19. Uma viatura oficial estacionou em frente ao Templo da Humanidade, sede do Positivismo no Rio de Janeiro, para desembarcar uma individualidade governamental, que fora ouvir a prédica de Teixeira Mendes. Na saída, o personagem ofereceu-lhe carona; ele recusou-a para evitar a alegação de que  aceitava favores do governo (Hernâni Gomes da Costa).
  20. Teixeira Mendes e o curitibano Emílio de Menezes desceram do bonde no Largo do Machado, no Rio de Janeiro. Ao despedirem-se, Teixeira Mendes disse-lhe: “Vou para o Apostolado” (Positivista do Brasil), ao que o vate trocadilhou-lhe: “E eu para o lado oposto” (circula entre os positivistas de Curitiba).
  21. O zelador do Templo da Humanidade (cuja filha, a sra. Dorotéia, sucedeu-o nessa função) desmanchou os ninhos que alguns pombos haviam construído no telhado dele. Teixeira Mendes censurou-o porque os pombos “são da família também”… (Hernâni Gomes da Costa).
  22. Em um debate acalorado sobre o Positivismo, certo positivista emocionou-se a tal ponto que enfartou-se e morreu no próprio lugar em que debatia (Hernâni Gomes da Costa).
  23. Nas festas juninas, formavam-se os pares de dança conforme os nomes dos grandes amantes da história: Abelardo e Heloísa, Dante e Beatriz, Laura e Petrarca, Augusto Comte e Clotilde (Henrique Batista da Silva Oliveira, Hernâni Gomes da Costa).
  24. Borges de Medeiros, governador do Rio Grande do Sul, era honesto e não se prevalecia dos fundos públicos: dirigia-se de casa ao palácio governamental a pé, e, ao encerrar-se o seu primeiro mandato, achava-se pobre e endividado, a ponto de que a sua esposa teve de costurar para fora (Memórias, João Neves da Fontoura).
  25. Quando um positivista passa a crer em deus ou volta a nele crer? Quando padece de demência senil. (Une direction: le Positivisme, Jorge Deherme; Ciência e filosofia ao alcance de todos, Alfredo de Araújo Lima).
  26.  Avoengos ilustres: o almirante Henrique Batista da Silva Oliveira descendia de Fernão Dias Paes; Astolfo Rezende, seu filho Otávio Murgel de Rezende e o filho deste, Condorcet Pereira de Rezende, descendem de Tiradentes. Os irmãos  Gustavo e Leonardo Biscaia de Lacerda e o irmão deles, autor deste livro, descendem de Frederico Leonardo Guilherme Virmond, que, sem personificar uma celebridade nacional, participou da batalha de Vaterlô, contra Napoleão, havendo sido condecorado por tal; descendem também de Alvaro Gil de Cabral, bisavô de Pedro Alvares Cabral.
  27. O sobrenome de alguns positivistas principia com a letra “L”, em uma série de coincidências inusitadas: Laffitte, Littré, Lagarrigue, Lastarria, Lemos, Lonchampt, Lewes, Lazinier, Lacaz, Lins, Lacerda.
  28. Foram positivistas e maçons, no Brasil, o general José Maria Moreira Guimarães,   Benjamin Constant Botelho de Magalhães e Lauro Sodré; na França, Gregório Wirouboff e Emílio Littré, cuja cerimônia de iniciação correspondeu a uma verdadeira apoteose do iniciando e do Positivismo, perante mais de três mil maçons. Na residência em que viveu e morreu Augusto Comte, no número 10 da rua Monsieur-le-Prince, em Paris, funcionou a loja maçônica “A filosofia positiva”, que ali se instalou em 1899. (Revue Occidentale, 1899; Le Positivisme depuis Comte jusqu’a nos jours, Hermano Gruber). Entre o Positivismo e a Maçonaria há em comum o sentido de fraternidade; há, de discrepante, a ausência da idéia de deus no primeiro e  a sua presença na segunda.

(Publiquei o Anedotário em “Provocações”, Curitiba, editora Vila do Príncipe, 1994).

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