Quem é “VIRMOND, A.” nos livros de Gustavo Biscaia de Lacerda.

 

Quem é “VIRMOND, A.” nos livros de Gustavo Biscaia de Lacerda.

Arthur Virmond de Lacerda Neto.

Acha-se, disponível na rede, desde 2011, uma tese de doutoramento aprovada na Universidade Federal de Santa Catarina, intitulada (com mau gosto) “Momento comtiano”, relativa ao pensamento do Positivismo de Augusto Comte, em que o autor, Gustavo Biscaia de Lacerda,  menciona, no texto e na bibliografia, “VIRMOND, A.”.

A. Virmond sou eu, de nome completo Arthur Virmond de Lacerda Neto, que deveria haver sido mencionado da forma academicamente correta, ou seja, “LACERDA NETO, A. V. de”.

O já agora professor pós-doutor Gustavo é meu irmão germano (somos filhos dos mesmos pai e mãe) e, obviamente, conhece-me o nome completo e as regras acadêmicas de citação de autores, que seguiu corretamente em relação a todos os que cita, exceto no que me concerne. Sou o único autor cujo nome ele elidiu, parcialmente, para ocultar o meu segundo sobrenome, Lacerda, e evitar, com isto, que o leitor perceba o parentesco existente entre nós.

Escrevi dois livros que tratam especificamente do Positivismo e outro em que há capítulos sobre ele, a saber: “A república positivista. Teoria e ação no pensamento político de Augusto Comte”, que o autor menciona na sua tese e no seu livro “Laicidade”; “A desinformação anti-Positivista no Brasil”, que Gustavo menciona no seu livro “Laicidade”; “Provocações”, com capítulos acerca do Positivismo, que Gustavo não menciona na sua tese nem em “Laicidade”.

A bibliografia da sua tese omite “A desinformação anti-Positivista no Brasil” e “Provocações”, que ele deveria haver, no mínimo, consultado; se não o fez, deixou de recorrer a livros de que dispunha, quanto mais não fosse porque lhe dei, pessoalmente, um exemplar de “A desinformação anti-positivista no Brasil” que publiquei no mesmo volume em que publiquei a “Pequena história da desinformação”, de Vladimir Volkoff: trata-se de dois livros em um só tomo, de que ele menciona o segundo, na bibliografia.  A quem consultou o de Volkoff é materialmente impossível ignorar a existência de “A desinformação anti-positivista no Brasil”. Na sua tese, ele o ignorou adrede: fingiu desconhecê-lo.

A menção errada do meu nome e a omissão de dois dos meus livros constituem falhas imperdoáveis. Não foram casuais; ao contrário, foram intencionais, no intuito de ocultar o meu nome e parte da minha obra. A atitude do autor da tese constitui falha acadêmica, pelo que ela não poderia, jamais, haver sido aprovada com louvor, como o foi: ao contrário, sem louvor, e com censura pela atitude mesquinha de que ela serviu de instrumento, como veículo de ódio de família que, no seu autor, sobrepujou e ainda sobrepuja a correção acadêmica.

Após a disposição da tese, na rede de computadores, dirigi-me, privadamente e por escrito, a Gustavo. Protestei contra a mutilação do meu nome; em resposta, recebi subterfúgios cínicos. Quando lhe esfreguei na cara a regra da Abnt, concernente à citação dos nomes dos autores, ele calou-se.

Em 2016, Gustavo publicou  “Laicidade na I República Brasileira” (Curitiba, Appris Editora), em cuja página 162 insiste na aleivosia de identificar-me com o meu nome mutilado, a saber, “VIRMOND, A.”.

O professor pós-doutor Gustavo Biscaia de Lacerda odeia-me ferozmente há, pelo menos, dez anos; recusava-me, com ódio velado, há cerca de vinte, suspeito de que por homofobia internada (“internalizada”).

Em 2016, ele persiste, se não no seu ódio, certamente sim no procedimento soez de ocultar-me a identificação por nome completo e o nosso parentesco, com evidente infração da correção acadêmica (porquanto “Laicidade” foi-lhe texto de pós-doutorado) e da probidade com que menciona as suas fontes, ao menos em relação ao que me toca.

No seu blogue “Filosofia social e Positivismo”, o pós-doutor Gustavo mantém as ligações de vários sítios eletrônicos de interesse positivista, porém não o do meu “Positivismo de Augusto Comte” (https://positivismodeacomte.wordpress.com/).

Cada um julgue do valor moral e da lisura acadêmica com que o professor pós-doutor Gustavo Biscaia de Lacerda me vota ódio e com que elide ao público, nas suas obras, a minha identificação. Ele sonega aos seus leitores informação que lhe era acadêmica e intelectualmente obrigatório propiciar-lhes; ele desinforma-os.

Cada um julgue se ele procedeu com probidade acadêmica e lisura intelectual ou se atuou com inegável desonestidade acadêmica e intelectual.

Pergunto: há probidade ou improbidade em sonegar, deliberadamente, em parte, o nome de autor que cita em nota de rodapé e na bibliografia, em tese de doutorado e em texto de pós-doutorado, acessíveis ao público, nome que ele obviamente conhece, por inteiro? ? Representa reincidência de improbidade persistir na mutilação do meu nome (em livro de 2016), a despeito do meu protesto, em 2011, e ainda que eu não houvesse protestado ? ? Ou ele foi probo, honesto, correto, moral acadêmica e intelectualmente, ao mutilar o meu nome, cujo enunciado obviamente conhece e cuja enunciação como “LACERDA NETO. A. V. de” era-lhe imperiosa, academicamente  e por lisura intelectual ? ?

Não se trata, da minha parte, de mera vaidade ferida por descuido do pós-doutor. Academicamente, a menção correta dos autores é forçosa: o pós-doutor jamais incorreria em tal desatenção de boa-fé.

Não se trata de questão de somenos, de meros sobrenomes, de picuinha de autor enfatuado: trata-se do intencional, deliberado, consciente obscurecimento da minha pessoa, da vinculação dela aos meus livros e do parentesco existente entre mim e Gustavo. Como “VIRMOND, A.”, não sou eu; não sou o autor dos meus livros e não sou irmão de Gustavo. Eu sou eu, bibliograficamente, como “LACERDA NETO, A. V. de”: desta forma, academicamente correta, o meu nome corresponde-me à pessoa; somente ela identifica-me, realmente, como autor dos meus livros; por ela, nota-se a coincidência de sobrenomes entre mim e o pós-doutor, o que, por sua vez, suscita, no mínimo, suspeita de parentesco entre ambos.

Identificado pela forma como o pós-doutor o fez, é como se eu não fosse eu: “VIRMOND, A.” não é ninguém.  Para o leitor desavisado,  “LACERDA NETO, A. V.  de” e “VIRMOND, A.” são duas pessoas, de que a segunda nenhum parentesco guarda com ele; no meio acadêmico, é indesculpável tal infração das regras da Abnt.

É evidente que qualquer leitor, ao se lhe deparar o nome Arthur Virmond de Lacerda Neto, percebe a coincidência com o Lacerda de Gustavo Biscaia de Lacerda: é esta percepção que o pós-doutor elide, capciosamente. Ele almeja evitar que os seus leitores percebam haver outro Lacerda, autor de livros sobre o Positivismo, e anteriores aos dele; deseja evitar a pergunta, no espírito do leitor: “Qual é o parentesco entre ambos?” e a resposta: “São irmãos germanos”.

Ele, que pontifica graças ao Positivismo, talvez insuporte, intimamente, dever-me a mim havê-lo conhecido. Talvez também me inveje, do que suspeito há cerca de vinte anos. Creio que me odeia por homofobia internada (“internalizada”).

Em 2018, o doutor Gustavo ejaculou novo livro, intitulado Comtianas brasileiras, em que persiste na desonestidade em causa (p. 288). Redigido em estilo amiúde canhestro, com vício do duplo sujeito, galicismos e outros defeitos, disse (p. 275): Ter diploma universitário, doutorado e ser professor não são garantias de conhecimento nem de integridade intelectual”. Confirmo-lhe as palavras, em relação a si próprio, na parte da “integridade intelectual” e de “VIRMOND, A.”. Melhor do que disse o doutor Gustavo, não o diria eu.

 

 

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Educar sem religião é virtuoso.

A virtude de educar crianças sem religião (entenda-se: teologia).

https://hypescience.com/pais-religiosos-ou-sem-religiao-quem-cria-os-filhos-melhor/

Famílias sem religião estão fazendo um trabalho melhor do que as demais

Por Cesar Grossmann, em 11.02.2015

Um fenômeno moderno são as famílias seculares, famílias em que pai e mãe não se identificam com religiões nem crenças. Nos Estados Unidos, eles são chamados de “Nones”, por que afirmam não acreditar em nada em particular.

Lá, este fenômeno está dando origem a outro: o das crianças que “crescem sem Deus”. O número delas tem crescido, de cerca de 4% nos anos 1950 a 11% após 1970, segundo um estudo de 2012.

Atualmente, cerca de 23% dos adultos nos Estados Unidos alegam não ter religião, e mais de 30% dos americanos entre 18 e 29 anos dizem o mesmo. E como são estas crianças, que crescem sem agradecer as refeições ou ir ao culto dominical? Como é a moral e a ética deste povo?

O professor de gerontologia e sociologia Vern Bengston supervisionou o Longitudinal Study of Generations (Estudo Longitudinal de Gerações) durante 40 anos, o maior estudo sobre religião e vida familiar feito no país, e tem uma ou duas coisas a contar sobre o assunto, baseado nas suas descobertas.

Por exemplo, as famílias seculares apresentam muito mais solidariedade e proximidade emocional entre pais e filhos, com padrões éticos e valores morais sendo passados para as próximas gerações. Segundo o professor, “muitos pais não religiosos eram mais coerentes e envolvidos com seus princípios éticos que alguns dos pais ‘religiosos’ em nosso estudo. A maioria parecia viver vidas plenas caracterizadas por uma direção moral e um sentido de que a vida possui um propósito”.

As famílias seculares têm seus próprios valores morais e preceitos éticos, entre eles a solução racional de conflitos, autonomia pessoal, livre-pensamento, rejeição de punições corporais, um espírito de questionar tudo e, principalmente, empatia. Para quem é secular, a moralidade tem um simples princípio: a reciprocidade empática, conhecida como a Regra de Ouro, que significa tratar os outros como gostaríamos que fôssemos tratados. Este é um imperativo ético antigo e universal, e não há nada nele que force a crença no sobrenatural.

“Afinal de contas”, pergunta uma mãe ateia, “se a sua moralidade está presa a uma crença em Deus, o que acontece se algum dia você questionar a existência de Deus? Sua moralidade vai se desfazer em pedaços? A maneira que estamos ensinando nossos filhos, não importa o que eles escolherem acreditar mais tarde na vida, mesmo se eles se tornarem religiosos, eles ainda terão este sistema moral”.

Na prática, os resultados são encorajadores. Adolescentes seculares têm menos tendência a se preocupar com o que os garotos populares estão pensando, ou de expressar uma necessidade de se enturmar com eles, do que os adolescentes religiosos.

Quando estes adolescentes se tornam adultos, eles tendem a apresentar menos racismo que seus colegas religiosos. E muitos estudos mostram que adultos seculares tendem a ser menos vingativos, menos nacionalistas, menos militaristas, menos autoritários e mais tolerantes, na média, que os adultos religiosos.

A tendência é de que crianças seculares continuem sendo não religiosas quando crescerem. Isso pode ser bom. Os adultos seculares têm uma tendência maior a compreender e aceitar a ciência do aquecimento global, a apoiar a igualdade feminina e os direitos dos gays. Sem esquecer que os números baixos de ateus em prisões também parecem indicar que ateus e pessoas sem religião são os que menos se metem a cometer crimes.

No cenário internacional, países democráticos com os menores níveis de fé religiosa são também os que têm as menores taxas de crimes violentos e gozam de bem estar social relativamente alto. Se os pais seculares não pudessem criar crianças com boa moral e comportamento, então a preponderância deste tipo de família significaria o desastre social. Só que o que acontece é o contrário.

A pergunta que alguns pais se fazem, se eles podem estar cometendo um erro ao criar seus filhos sem a crença em Deus, tem uma resposta clara: não. Crianças que crescem em um lar secular não têm deficiências em nenhuma virtude ou traço positivo, e devem ser bem-recebidas pela sociedade. [Los Angeles Times]1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (20 votos, média: 4,60 de 5)

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Teoria crítica do Direito: erros sobre o Positivismo.

Teoria crítica do Direito: erros quanto ao Positivismo.

                                                           Arthur Virmond de Lacerda Neto. 1º.XII.2019.

            Intitula-se Teoria crítica do Direito o livro de Luiz Fernando Coelho, publicado em quinta edição em 2019 (Curitiba, Bonijuris). Comento-o exclusivamente em relação ao Positivismo.

            O nome Positivismo foi introduzido por Augusto Comte, autor da doutrina assim nomeada, da sociologia e de forma de humanismo que chamou de religião da Humanidade. Graças à obra de Comte e ao imenso prestígio que granjeou nos meios intelectuais, políticos, filosóficos europeus e latino-americanos, tal designação notabilizou-se.

As concepções de Comte são as legítimas detentoras do nome em questão e a elas refiro-me com inicial maiúscula, para diferençá-las do uso espúrio que dele fazem doutrinas outras, cujos mentores, partícipes e antagonistas  apropriaram-se do termo e aplicaram-lhes, mais mal do que bem, por extensão ou analogia, o que origina confusões por polissemia.

            Devido a tal polissemia, em qualquer obra rigorosa que trate do Positivismo ou dos positivismos, é mister, antes de tudo, circunscrever exatamente a que o autor se refere com tal vocábulo; é imperioso distinguir o Positivismo (se dele o autor se ocupa) dos assim chamados positivismo jurídico, positivismo na historiografia, positivismo em geografia, positivismo em sentido coloquial. Não se admite, em obra nenhuma, ainda menos em obra doutoral, que o autor amalgame doutrinas distintas, como se concordassem entre si por coincidirem (infelizmente) no nome.

            É tosco nomear Augusto Comte e invocar-lhe o Positivismo e, no mesmo ponto, mencionar “positivismo” sem mais especificações, e invocar autores de todo alheios à obra do primeiro.

            Desta deficiência padece a Teoria crítica do Direito, que se abre com e como “reação a […] herança positivista” (p. 9), responsável por “exigência de cientificidade nos moldes do positivismo”. O livro vale-se do nome positivismo desde o seu intróito, sem explicitar ao leitor de que positivismo trata e qual recusa: não se sabe, nem o autor no-lo elucida, se repudia a obra de Comte, se o normativismo jurídico, se o positivismo lógico, se nada disto, se tudo isto, se um pouco de cada. Há confusão e obscuridade imperdoáveis, por imprecisão teórica própria de calouros.

  1. Quatro recusas e seis princípios.

Segundo o livro, os “moldes [da exigência de cientificidade] preconizados pelo positivismo” conduziram (p. 9):

  1. “a uma especialização cada vez mais aprofundada dos estudos superiores”,
  2. “a uma atitude cognoscitiva apegada às partes componentes, em prejuízo da visão de conjunto como um todo”, que
  3. “importou a (sic[1]) a descaracterização das ciências humanas como voltadas para o homem, substituído pelo evento, o fato isolado de seu contexto histórico-social.”
  4. “em psicologia, historiografia, economia e sociologia, toda a problemática das relações humanas viu-se reduzida ao estudo descritivo dos fatos.”

Malgrado a falha que apontei, as quatro críticas permitem-me e permitem a qualquer leitor bem-informado sobre a obra de Comte identificar, prontamente e fora de qualquer hesitação, a que doutrina ele não se refere: não se refere ao Positivismo, ao de Augusto Comte.

Realmente, dentre outras notas, o Positivismo caracteriza-se explicitamente por:

  1. Preconizar, não a especialização do conhecimento científico insuladamente de vistas de conjunto, porém o aprofundamento da cognição em cada ramo da ciência, sempre com vistas de conjunto, com visão global, com percepção do lugar de cada setor do conhecimento em relação a seus homólogos.
  2. Preconizar atitude cognitiva de relação, de ligação dos diversos ramos científicos entre si, por modo propiciar-se conhecimento dos métodos, doutrinas e resultados mais gerais de cada setor e de todos os setores.
  3. Preconizar, de conseqüência, nova especialização: a das generalidades científicas, a do engrazamento dos ramos científicos entre si, no que se chama atualmente de interdisciplinariedade, nome aliás estranho para designar a proposta Positivista, sem o rigor que lhe é próprio.
  4. Protestar pelo desiderato humanista da ciência, pela sua existência como instrumento útil à Humanidade, como conhecimento ao serviço do melhoramento da condição de vida das pessoas. Aliás, ao contrário do que pensa o senso comum ignorante, o Positivismo não é cientificista: ele fundamenta-se na ciência, porém não é por ela limitado nem encontra nela seu escopo; ele é humanista porquanto reconhece na Humanidade seu valor soberano.
  5. Asserir o princípio da associação do fato ao respectivo contexto social, em sentido alargado no tempo e no espaço, diacrônica e sincronicamente e julgar irracional insular o fato do respectivo contexto social. O ensino, aliás, preconiza Comte, desenvolve-se dogmática ou historicamente; na segunda forma, atinar-se-á sobremodo na dependência dos fatos relativamente ao estado de coisas humano, social, a que corresponde.
  6. Em psicologia, historiografia, economia e sociologia, a problemática das relações humanas não pode ser reduzida ao estudo descritivo dos fatos; não pode ser meramente empírico: deve ser propriamente científico, em que os fatos servem como informações destinadas a formularem-se leis que levem à ação. O Positivismo (disse-o Comte) recusa o mero empirismo; não é empírico: é científico, ou melhor, positivo.

Os 4 pontos de que a Teoria crítica do Direito se afasta, em nome da rejeição do positivismo (seja qual for) correspondem, item por item e fielmente, ao ideário do Positivismo. Se o autor da Teoria recusa dados “moldes”, também os recusa, enfaticamente, o Positivismo. Se o autor da Teoria imputa-os ao Positivismo, então dele recusa não o que ele realmente transmite, senão a imagem, aberrante, que dele formou. Como o autor eximiu-se de precisar que positivismo recusa e, ao enjeitá-lo não nomeia Comte, depreendo que não é ao Positivismo que se refere e que, a contrario, com ele converge e com ele coincide, pelo menos quanto ao que ambos rejeitam. (Continua).

Leia a totalidade deste artigo no meu blogue, em: https://arthurlacerda.wordpress.com/2019/12/01/teoria-critica-do-direito-erros-sobre-o-positivismo/

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Escravidão.

Os Positivistas tinham projeto realmente avançado de abolição: ela deveria fazer-se com 1- transformação dos ex-escravos em assalariados, nos mesmos postos de trabalho em que já laboravam; 2- em todas as fazendas deveria haver escola para eles; 3- os casais deveriam casar-se, ou seja, as famílias deveriam constituir-se legalmente.

Indagaram a Teixeira Mendes, chefe do Positivismo brasileiro se ele julgava que os senhores deveriam ser indenizados pela expropiação que sofreriam com a abolição; ele respondeu que os ex-escravos é que deveriam ser indenizados pelo tempo em que haviam trabalhado de graça.

O Calendário Positivista, constituído por Augusto Comte como forma de suscitar-se espírito de continuidade, consagra Toussaint Louverture, o ex-escravo que proclamou a independência do Haiti, em relação à França.

Enquanto a igreja católica consagrava a escravidão (embora recomendasse que se bem tratasse os escravos) os Positivistas não os tinham e não os ter era-lhes obrigatório como condição de ingresso no Centro Positivista do Rio de Janeiro e na Igreja Positivista do Brasil (existente no Rio de Janeiro). Graças também à influência positivista (que os anti-positivistas tentam deprimir) proclamou-se a república no Brasil e em Portugal.

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A continuidade no Positivismo.

É marcante, na obra de Augusto Comte, a noção de continuidade, de que lhe decorrem a ênfase no estudo da história, o conservadorismo e o reformismo. Eis o sumário do ensaio que redigi a respeito (a cuja íntegra acederá pela ligação abaixo):

I) Definição.

II) Idéia de continuidade. Espírito de continuidade. Sentimento de continuidade.

III) Método histórico.

IV) Descontinuidade.

V) Pressupostos.

V.a) Perspectiva social. Natureza social das pessoas. “Homem” como abstração.

V.b) Influência das gerações.

VI) Caracteres da continuidade.

VI.a) Científica.

VI.b) Programática. Modernismo. Mudancismo. Progresso Positivo. Conservadorismo. Reformismo.

VI.c) Deontológica. Deveres.

VI.d) Educadora.

VI.e) Religiosa.

VI.f) Cultual.

VI.g) Metodológica.

VI.h) Profética.

Apêndice.

Ortega y Gasset positivista.

1) Determinação social do indivíduo.

2) Continuidade.

3) Profecias em história.

Aceda ao texto completo, em PDF, em https://arthurlacerda.wordpress.com/2019/10/08/teoria-da-continuidade-no-positivismo/

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Conservadorismo e reformismo Positivistas.

Em cada fase histórica, constitui-se, espontaneamente, certo estado de coisas, certa ordem (no sentido de organização, arranjo, disposição das instituições, dos costumes, do poder político, dos formadores de opinião, do poder econômico.), que não é perfeita nem necessariamente a melhor possível: a noção científica, real, positiva de existência de ordem espontânea é diferente da sua aceitação passiva e da sua apologia. Inteligências convenientemente organizadas e racionalmente preparadas evitarão confundir a “noção científica da uma ordem espontânea com a apologia sistemática de qualquer ordem existente”[1]. De fato:

            Em relação aos fenômenos quaisquer a filosofia positiva […] ensina […] que […] estabelece-se, espontaneamente, certa ordem necessária, sem jamais pretender que esta ordem não apresente inconvenientes, modificáveis até certo grau, por uma sábia intervenção humana. […] os fenômenos sociais devem ser então necessariamente os mais desordenados de todos, ao mesmo tempo em que são os mais modificáveis […][2]

            A ordem natural é “amiúde muito imperfeita”[3]          , pelo que o Positivismo provoca a intervenção humana de modo “sábio e ativo”[4], visto serem os “fenômenos sociais [..] ao mesmo tempo os mais modificáveis de todos e os que têm mais necessidade de serem utilmente modificados […]”.[5]

Na medida em que as pessoas atuam e produzem resultados e reações, o estado de coisas vai se constituindo em certa medida empiricamente, ao sabor das iniciativas pessoais e das reações alheias. Nem sempre tudo corre bem, nem sempre tudo está bem; longe disto. Surgem providências que tomar, soluções que encontrar, desarmonias que conciliar, necessidades a que atender, problemas que resolver, erros que retificar — em suma, a ordem social merece e até exige aperfeiçoamentos.

            Daí a necessidade da intervenção inteligente, lúcida, planejada, que modifique para melhor o que existe. Não apenas os fenômenos sociais são os mais modificáveis, mais sujeitos à intervenção humana, como a agência humana deve contribuir para melhorar tanto quanto possível tudo quanto possível. Assim, “[…] intervir, com sábia energia, em todos os casos modificáveis […] é o caráter prático da existência positivista, individual ou coletiva.”[6] De fato, “o dogma positivista impele-nos à atividade, sobretudo social […]”[7].

            Mais amplamente, “o positivismo assina por fito contínuo a toda nossa existência, pessoal e social, o aperfeiçoamento universal, primeiro de nossa condição exterior[8] e em seguida, sobretudo, de nossa natureza interior.”[9] Quatro são os tipos do “aperfeiçoamento humano: primeiro material, depois físico, em seguida intelectual, enfim e sobretudo moral.”[10]

            No Positivismo, a preocupação com o bem-estar da coletividade, o altruísmo (republicano) “vota toda a nossa existência ao aperfeiçoamento universal. Ele obriga-nos a estudarmos a ordem natural para melhor aplicarmos nossas forças quaisquer, individuais ou coletivas, no seu melhoramento artificial.”[11]

            Também valoriza o melhoramento moral que cada um deve exercer em si próprio: “Nosso principal progresso, tanto coletivo quão individual, consiste em desenvolver sempre o império que só pertence a cada um, sobre nossas próprias imperfeições, sobretudo morais.”[12]

            Comte menciona “economia natural, que é preciso primeiramente estudar e respeitar para chegar a melhorá-la”.[13]

            O conservadorismo positivista exprime-se pela fórmula “conservar enquanto se melhora” ou “conservar e melhorar”.[14]

            Em cada época, a marcha natural da evolução determina os aperfeiçoamentos que ela deve receber, no conjunto ou nos seus pormenores[15]. É possível e desejável a intervenção modificadora do homem, máxime nos fenômenos sociais e, ainda mais, individuais. Daí, aliás, o aforismo de Comte: “Saber para prever, a fim de prover”, em que o terceiro verbo exprime, em sentido geral, a ação humana movida pela vontade do homem esclarecido, com espírito republicano e sentimentos generosos. Tal é o sentido do reformismo positivo, que concilia o aperfeiçoamento com a conservação.[16]

            Reformismo significa mudança e não imobilismo; conservar difere de cristalizar. A mudança deve ser positiva, com atenção à ordem e ao progresso. A teoria da ordem informa-nos quais são os elementos permanentes das sociedades; sem ela as mudanças seriam arbitrárias, com flutuações ilimitadas e caprichosas. A teoria do progresso informa-nos qual é o sentido da marcha humana; sem ela as mudanças seriam inoportunas ou vagas, por falta de harmonia com o estado de coisas em cada fase histórica.  O conhecimento da teoria da ordem, ou seja, da estática social, evita arbitrariedades nas mudanças; o da teoria progresso, ou seja, da dinâmica social, evita o absoluto nas mudanças.[17]


[1] COMTE, Curso, IV, 247.

[2] COMTE, Curso, IV, 247, 248.

[3] COMTE, Curso, IV, 249.

[4] COMTE, Curso, IV, 249.

[5] COMTE, Curso, IV, 249.

[6] Política, I, 355.

[7] Política, I, 55.

[8] Condição exterior: o meio material, físico, em que a humanidade existe; tudo quanto pertence ao mundo e não às pessoas.

[9] Natureza interior: tudo quanto diz respeito às pessoas (compleição, saúde, moralidade, afetividade, virtudes, cultura). Política, I, 106.

[10] Política, I, 109. Cf. p. 28, 29, 30, 108.

[11] Política, I, 323.

[12] Política, I, 327.

[13][13] Política I, 27.

[14][14]COMTE, Apelo, 1899, Apostolado, p. XIII. A tradução é de Miguel Lemos “conservar melhorando” contém galicismo.

[15] COMTE, Plano dos trabalhos, apud SARTORI, Eric, p. 107.

[16] COMTE, Política, IV, 370.

[17] COMTE, Política, IV, 3.

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Humanidade.

A Humanidade, dogma basilar da religião positivista, constitui-se da sucessão dos seres convergentes. Sucessão equivale a seqüência que, por sua vez, implica continuidade do passado para o presente e deste para o futuro: ” é necessário que a população atual sempre se sinta colocada entre o conjunto de seus predecessores e o de seus sucessores”[1]. A Humanidade “[…] estende-se e compõe-se cada vez mais pela sucessão contínua das gerações humanas.”[2] Ela é cosmopolita ou universal, abarca a totalidade do gênero humano, pelo que é incompatível com xenofobia ou preconceitos de nacionalidade; ela é a “pátria comum ou a família universal”[3].

            A concepção de Humanidade deve eliminar irrevogavelmente a de deus[4]; mais: em vista da instituição da religião da Humanidade, deus preside aos retrógrados e aos anárquicos; a Humanidade, aos espíritos orgânicos e progressistas.[5] Todos os aspectos do Positivismo convergem para a noção de Humanidade[6]; a ela se referem todos os aspectos da existência humana: dedicamos-lhe nossas contemplações para conhecê-la, nossas afeições para amá-la, nossas ações para servi-la.

            Assim como os teológicos a sério vivem em função do seu deus, os Positivistas vivem em função da Humanidade; é o que o Positivismo chama de unidade, a adoção de um critério, de um princípio orientador da pessoa. A unidade do Positivismo, individual e coletiva consiste em sentir, pensar e a atuar tendo em vista a conservação e o melhoramento da Humanidade; ser positivista consiste em pensar-se no todo, em todos, em obrar-se em conformidade, animados por sentimentos generosos.

            No Positivismo não se invoca o amor de deus e sim o amor da Humanidade; atua-se por amor da Humanidade, premissa de que advém corolários na forma de moral demonstrada em lugar da moral revelada[7], de moral, valores, princípios e costumes humanistas, concebidos segundo as realidades e as necessidades das pessoas e não consoante ditames sobrenaturais.

A Humanidade é simbolizada na forma de mulher (representa o passado e o presente) com criança nos braços (representa o futuro); a mulher tem as feições de Clotilde de Vaux. O conjunto mãe e filho reproduz a imagem do catolicismo de Maria com Jesus que, por sua vez, não lhe é original, porém correspondia a figura já presente no politeísmo egípcio.


[1] Curso, I, 24.

[2] Política, I, 335.

[3] Política, IV, 24.

[4] Política, I, 329

[5] Política, I, 398.

[6] Politica, I, 329

[7] COMTE, Política, I, 356.

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O Positivismo Religioso.

O Positivismo Religioso é como se intitula o simpático sítio do brasileiro Luiz Gustavo Mota, em que divulga suas reflexões de inspiração positivista. Aceda-lhe por https://positivismoreligioso.blogspot.com/?m=1

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